terça-feira, 26 de maio de 2009

Vanguarda Como Estratégia

Baseada nestes acontecimentos a Vanguarda Brasileira se torna um tipo de estratégia: a lógica “sentimental” transforma-se em lógica mercantil, devido à mudança de perfil vivida pela sociedade. Bombardeados com as novidades por todos os lados, os consumidores – não só de produtos, como de arte – adotam a máxima de “o que não é novo, não importa”.
Assim, é iniciado o estímulo recorrente da Arte Pop, que critica o consumo desenfreado aliado à publicidade.
A vanguarda foi, então, uma nova maneira de interpretar os acontecimentos de cunho puramente nacional. Os artistas fundamentam-se com ideais voltados para a realidade do país, tornando-se precursores da Arte pós-moderna, com uma estética e conceitos tão diferenciados que nunca seriam produzidos no exterior.
Com inspiração no barroco, na antropofagia da Semana de 22 e na vocação construtiva, as pesquisas artísticas no contexto social e político aumentam. Agora, importava também o meio – não soment eo puramente estético. O maior exemplo é encontrado em artistas como Volpi (com suas experimentações de cor e forma nas “bandeirinhas”), Tarsila do Amaral (com sua experimentação cubista voltada para o nacional) e Oscar Niemeyer (com sua arquitetura descomunal).
Segundo Helio Oiticica, a vanguarda brasileira construía-se sobre três bases distintas e complementares - a participação do espectador na obra de arte, a presença do objeto e o estatuto de uma nova objetividade. Era dessa forma que a arte poderia realmente ser criticada e enfrentar situações limite de aprendizado e esclarecimento com seus espectadores.
"A 'Declaração dos Princípios Básicos da Vanguarda', publicada em janeiro de 1967, representou uma importante tomada de decisão entre os artistas e críticos em relação ao seu fazer artístico e em sintonia com o contexto político, social e cultural brasileiro. Texto coletivo que se assemelhava a um manifesto, foi publicado em alguns meios de comunicação impressa e vinha assinado pelos artistas Antonio Dias, Carlos Vergara, Rubens Gerchman, Lygia Clark, Lygia Pape, Glauco Rodrigues, Sami Mattar, Solange Escosteguy, Raymundo Collares, Carlos Zílio, Maurício Nogueira Lima, Hélio Oiticica e Anna Maria Maiolino, e pelos críticos Frederico Morais e Mário Barata."

Preza-se pelo esforço criador. O que é vindo do exterior não deve ser cegamente copiado, mas sim lido e inteirado na realidade nacional, como arte própria e resultado das atuações do próprio país.

Inicia-se a antropofagia. Ocorre uma dinamização dos fatores de apropriação da obra pelo consumidor e propõe-se o uso de todos os meios industriais possíveis. É o começo da especulação sobre Design, acoplando a arte ao cotidiano em forma de projeto e causando mudanças sociais.

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