domingo, 24 de maio de 2009

Vanguarda ou Comprometimento - A Visão de Ferreira Gullar

“No caso brasileiro, o debate crítico da época problematizou conceitos de arte e política, no sentido de fundamentar-se uma visão da cultura nacional.”

Os artistas brasileiros colocavam em prática uma experimentação de abordagens distintas para uma mesma problemática, ou seja, conseguir passar o ideal do que era vivenciado e sentido, de uma forma que tivesse variação estética e ideológica.
Sob este contexto, emerge a figura de Ferreira Gullar, um dos escritores mais importantes da época. Com imenso número de publicações e livros, é por ele que compreendemos melhor o contexto e a mentalidade da época. O autor afirmou a impotência de ação (transformadora ou comprometida) das movimentações artísticas orientadas para a discussão de seus próprios domínios formais de linguagem. É fixado, por conseguinte, o uso da Vanguarda como experimentação – passível de acerto ou falha e, nem por isso, menos válida.
No livro “Vanguarda e Subdesenvolvimento”, Ferreira Gullar divide, então, os artistas em dois nichos: os comprometidos e os descomprometidos. Os comprometidos possuíam um caráter ideológico e suas obras serviam de veículo de conscientização do público; empunham, portanto, uma visão construtiva da sociedade, aliada a uma visão de mundo. Os descomprometidos, por sua vez, pregavam que as formas e relações harmônicas que integram a obra numa totalidade expressiva formam uma atividade estética vital para a sociedade; desta maneira, uma obra esteticamente válida cumpre sua função social, atendendo á sua necessidade vital de existência.

Para Gullar, a maior falha do início do movimento no Brasil era devido às primeiras obras serem feitas numa lógica de superação do atraso, sem ser colocadas dentro do contexto histórico que aqui se passava; o concretismo é o mais criticado. Já com a inauguração do Neonconcretismo, a aparição do grupo Frente e a assinatura do Manifesto Neoconcreto, a arte do exterior começa a ser adaptada aos mmoldes brasileiros, tornando-se algo íntegro e inovador. As obras então construídas não tinham nenhuma semelhança com a arte européia ou norte-americana, fazendo com que haja um grande diferencial.
Finalmente surge a verdadeira e melhor arte de vanguarda até então vista no Brasil: uma arte que era vista como operação de absorção crítica e não mera transferência de valores ligados às experimentações artísticas internacionais.
Para Gullar, a verdadeira arte de vanguarda não é alienada do mundo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário